60 Anos do Assassinato do General Humberto Delgado: Memória e Legado

No dia 13 de fevereiro de 1965, Portugal perdeu uma das suas figuras mais emblemáticas e controversas da oposição ao Estado Novo, o general Humberto Delgado. Conhecido como “General Sem Medo”, Delgado desafiou abertamente o regime autoritário de António de Oliveira Salazar na tentativa de trazer mudanças democráticas ao país. Passados 60 anos do seu assassinato, a memória de Delgado continua a ser uma fonte de inspiração e um símbolo de resistência.

Humberto Delgado ganhou notoriedade durante as eleições presidenciais de 1958, quando se opôs corajosamente a Salazar. Numa famosa conferência de imprensa, ao ser questionado sobre o que faria com Salazar se ganhasse as eleições, Delgado respondeu de forma audaz: “Obviamente, demito-o!” Este momento tornou-se um marco na história política portuguesa e destacou a coragem de Delgado em enfrentar o regime.

Após a sua derrota nas eleições, que muitos acreditam ter sido viciada, Delgado foi forçado a exilar-se, primeiro no Brasil e depois na Argélia, onde continuou a sua luta contra o Estado Novo. Durante o exílio, ele manteve-se ativo, organizando e apoiando diversos movimentos de resistência, tornando-se uma figura central no contexto do ativismo anti-Salazarista.

A morte de Humberto Delgado, em 1965, perto da fronteira espanhola, foi um momento sombrio e revelador da brutalidade do regime de Salazar. Embora inicialmente tenha sido encoberto, mais tarde foi confirmado que a PIDE, a polícia política do regime, esteve envolvida no seu assassinato. O corpo de Delgado foi encontrado numa região isolada, juntamente com o de sua secretária, Arajaryr Moreira de Campos, mostrando a extensão do alcance do regime para silenciar os seus oponentes.

O legado de Humberto Delgado é complexo e multifacetado. Por um lado é lembrado como um herói que deu a vida pela democracia em Portugal. Por outro, a sua figura também suscita debates sobre a eficácia e as consequências das estratégias radicais de oposição. Anos após a sua morte, Delgado foi homenageado em várias formas, incluindo a nomeação de ruas e monumentos. A sua vida e morte continuam a ser estudadas em escolas e universidades como exemplos cruciais da resistência ao autoritarismo.

A história de Humberto Delgado é um marco da luta pela liberdade e integridade face a um regime opressor. No 60º aniversário do seu assassinato, refletimos não só sobre a sua morte, mas também sobre a sua vida, que continua a inspirar gerações. Delgado não é apenas uma figura do passado; é um eterno lembrete do preço da liberdade e do papel que cada indivíduo pode desempenhar na luta pela justiça e pela democracia.

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