A azulejaria portuguesa é muito mais do que uma simples forma de decoração. É uma linguagem visual que conta histórias, guarda memórias e reflete a alma de um povo. Quando passeamos por Lisboa, Porto ou qualquer vila portuguesa, é impossível não nos deixarmos encantar pelas fachadas coloridas, pelos painéis de igrejas e pelos pequenos detalhes que surgem em cada esquina.

A palavra azulejo vem do árabe al-zulaij, que significa “pequena pedra polida”. Foram os mouros que trouxeram esta técnica para a Península Ibérica, com os seus padrões geométricos e formas repetitivas, evitando representações humanas por respeito às suas tradições religiosas.
Em Portugal, os azulejos ganharam vida própria a partir do século XV. Inspirados pelas técnicas italianas, os artistas portugueses começaram a criar padrões mais elaborados e, mais tarde, verdadeiras narrativas visuais em tons que atraem quem os observa.
Foi no período Barroco, nos séculos XVII e XVIII, que os azulejos se tornaram verdadeiras telas. Imagine uma igreja barroca portuguesa: paredes inteiras cobertas de cenas bíblicas, episódios históricos e até representações do quotidiano. O azul e branco, inspirados na porcelana chinesa, tornaram-se a marca registada desta época.
Essas peças não eram apenas bonitas; elas contavam histórias. Eram, de certa forma, os livros ilustrados de uma época em que muitos não sabiam ler.

No século XIX, com a industrialização, os azulejos tornaram-se mais acessíveis e começaram a cobrir fachadas de edifícios urbanos. Mais do que proteger as casas da humidade, eles traziam personalidade às ruas. Basta um passeio por bairros históricos de Lisboa, como Alfama ou Mouraria, para perceber como cada fachada parece contar uma história única.
No Porto, a estação de São Bento é um dos exemplos mais impressionantes. Mais de 20 mil azulejos cobrem as suas paredes, representando cenas da história de Portugal.

Foto de Rostyslav Savchyn
Com o passar do tempo, a azulejaria continuou a evoluir. Artistas como Rafael Bordalo Pinheiro e Jorge Colaço deram novas formas e significados a esta arte. Hoje, os azulejos continuam a estar presentes, seja numa estação de metro, numa instalação artística ou numa fachada moderna.
Artistas contemporâneos não têm medo de inovar. Eles misturam tradição com modernidade, criando peças que dialogam com a arquitetura atual e com os desafios do mundo contemporâneo.

Os azulejos portugueses não são apenas elementos decorativos. São parte do nosso património cultural, uma forma de expressão artística que atravessou séculos sem perder o brilho. Representam a nossa identidade, a nossa criatividade e a nossa capacidade de contar histórias de forma visual e acessível.
Da herança mourisca aos murais contemporâneos, cada azulejo carrega consigo um pedaço da história de Portugal. Mais do que cobrir paredes, eles cobrem-nos de memórias, de emoção e de orgulho.
A próxima vez que passar por um painel de azulejos, pare por um instante. Olhe com atenção. Talvez ele esteja a contar-lhe uma história que só você será capaz de ouvir.