A história da vida e morte de Alfred Herrhausen, um dos banqueiros mais influentes da Alemanha no final da década de 1980, chega agora ao ecrã na série “Herrhausen: O Banqueiro e a Bomba”, com estreia exclusiva na Filmin a 18 de fevereiro. Realizada por Pia Strietmann e protagonizada por Oliver Masucci, a série mergulha num dos crimes mais enigmáticos da história recente alemã, um assassinato que continua envolto em mistério.
O Homem que Desafiou o Sistema
Alfred Herrhausen, presidente do Deutsche Bank e conselheiro económico do então chanceler Helmut Kohl, destacou-se como uma figura singular no meio financeiro. Defensor do perdão da dívida dos países em desenvolvimento, posicionou-se contra o status quo dos grandes bancos e das políticas económicas dominantes da época. O seu pensamento progressista e a sua ousadia em contrariar interesses financeiros poderosos valeram-lhe tanto admiradores como inimigos ferozes.
Foi em 30 de novembro de 1989, apenas semanas após a queda do Muro de Berlim, que Herrhausen foi assassinado num atentado terrorista. A sofisticada emboscada, realizada com uma bomba acionada por feixe de luz, foi inicialmente atribuída à Fracção do Exército Vermelho (RAF), um grupo extremista de esquerda. No entanto, em 2004, todas as acusações contra a RAF e os seus membros foram arquivadas, deixando a questão: quem matou Herrhausen?
Um Thriller Baseado em Factos Reais
A série, que mistura investigação jornalística com suspense político, procura explorar não apenas os eventos do assassinato, mas também o contexto turbulento em que ocorreu. A produtora Gabriela Sperl destaca a carga simbólica do atentado: “Foi um assassinato ruidoso, tal como a máfia gosta. Um aviso de que quando alguém como Herrhausen se atreve a ir longe demais, tem de ser travado.”
Já a realizadora Pia Strietmann revela que a sua maior preocupação ao aceitar dirigir a série foi a responsabilidade histórica: “A pressão veio mais da grande responsabilidade para com Alfred Herrhausen. Já houve várias tentativas falhadas de levar a sua história ao cinema e à televisão.”
A abordagem narrativa foca-se no caráter determinado do banqueiro: “No género thriller, uma pessoa é perseguida e escapa ou não. Herrhausen também é perseguido, mas ele não foge, continua. É isso que o torna especial.”
Mulheres e Estética Moderna numa História dos Anos 80
Apesar de a época ser marcada por uma predominância masculina no mundo financeiro e político, Strietmann procurou dar relevância às personagens femininas, como a secretária Pinckert, a esposa Traudl Herrhausen e a terrorista da RAF interpretada por Lisa Vicari. “Era importante retratá-las de forma independente e obstinada, com um caráter próprio.”
Outro elemento diferenciador da série é a estética visual. Em vez de se prender ao imaginário saturado dos anos 80, a produção apostou numa abordagem moderna e contemporânea. “O objetivo era torná-la relevante e atual, sem se perder numa estética datada.”, explica Strietmann.
Reconhecimento Internacional
Desde a sua estreia em festivais, “Herrhausen: O Banqueiro e a Bomba” tem sido amplamente aclamada. No Séries Mania, em Lille, venceu o prémio de Melhor Argumento, e no Festival de Munique, arrecadou o prémio de Melhor Série.
Com uma narrativa envolvente e um mistério por resolver, esta produção promete ser um dos grandes eventos televisivos do ano, oferecendo um olhar aprofundado sobre uma das figuras mais controversas e fascinantes da história recente da Alemanha.
