No coração do Vaticano, durante a missa do Jubileu dos Artistas e do Mundo da Cultura, o Papa Francisco, através de uma homilia lida pelo cardeal José Tolentino de Mendonça, fez um apelo aos artistas e intelectuais de todo o mundo. Mesmo ausente fisicamente devido a problemas de saúde, a voz do Pontífice ressoou na Basílica de São Pedro, desafiando os presentes a uma missão de transformação social através da arte.
A Missão Cultural Segundo as Bem-Aventuranças
Francisco convocou os artistas a serem “testemunhas da visão revolucionária das Bem-Aventuranças”, não se limitando a criar meramente beleza estética, mas a revelar verdades profundas e a dar voz aos silenciados. A sua mensagem, rica em imagens evocativas e em profundidade teológica, não apenas celebra a arte como expressão de beleza, mas também como um veículo de mudança social e espiritual.
Arte e Esperança em Tempos de Crise
Num mundo assolado por crises “económicas, sociais e, acima de tudo, da alma”, o Papa destacou a importância da arte e da cultura como meios de navegação e interpretação das complexidades humanas e espirituais. Ele vê os artistas como pilares na manutenção do horizonte da esperança, essenciais para orientar a humanidade através de tempos incertos.
O Papel Profético dos Artistas
Francisco foi enfático ao afirmar que a arte não deve ser vista como um luxo, mas como uma necessidade essencial do espírito humano. Ele desafiou os artistas a assumirem um papel profético, sendo “guardiães das Bem-Aventuranças”, construtores de pontes e iluminadores de mentes. Segundo ele, a verdadeira arte desafia, questiona e provoca, sendo um grito que não pode ser ignorado.
Um Convite à Ação Cultural
O encerramento da homilia foi um chamado à ação para todos os presentes e para os que compartilham da vocação artística e cultural. O Papa exortou os artistas a se deixarem guiar pelo “Evangelho das Bem-Aventuranças” e a usarem suas vozes e talentos como anúncio de um mundo renovado e esperançoso. “Nunca deixeis de procurar, interrogar, arriscar”, concluiu, incentivando uma arte que é ao mesmo tempo inquieta e inquietante, uma arte que fomenta a esperança e a transformação.
Este evento não apenas reiterou o compromisso da Igreja com a cultura e as artes, mas também reafirmou a fé na capacidade da arte de provocar mudança e inspirar esperança em um mundo frequentemente dividido e dolorido. O Jubileu dos Artistas e do Mundo da Cultura da Basílica Vaticana serviu como um lembrete poderoso de que a arte, em todas as suas formas, continua sendo uma força vital para o avanço espiritual e social da humanidade.